• Dra. Camila Couto e Cruz

Morando no exterior: "Odeio brasileiro"



Morando fora há meia década, eu já ouvi muitas vezes frases que depreciam os brasileiros. Tanto no nível mais amplo, ou seja, o brasileiro como povo ou entidade cultural, assim como no nível individual. Chega a ser engraçado muitas vezes... uma vez eu estava tomando um café com amigos e um deles comentou que havia sido roubado. Prontamente, um dos amigos perguntou: era brasileiro? Na hora não respondi nada, talvez por pura estupefação. Mas vamos aos dados da questão para analisar qual é a possibilidade de o tal bandido ter sido um brasileiro: o país em questão era a Austrália, com mais de 26 milhoes de habitantes; país permeado de culturas dos quatro cantos do mundo; um lugar cheio de australianos e imigrantes. Me pergunto: por que logo o brasileiro seria o bendito (ou maldito) assaltante? Não me veio nenhuma resposta lógica, a não ser um fenômeno absolutamente natural do desenvolvimento humano, que é a necessidade negação com o objetivo de diferenciação e autoafirmação.


Vou explicar melhor... Quando deixamos o nosso país para viver no exterior, queremos PERTENCER à nova cultura e desenvolver novos círculos sociais. Para sentirem-se pertencentes, muitas pessoas negam a sua origem para tornarem-se novos indivíduos, agora, parte de uma nova cultura e contexto social. Esse processo de adaptação no novo país pode se dar de maniera saudável, através da integração em costumes, como por exemplo beber a bebida local, fazer amigos na vizinhança ou vestir-se como os outros naquele país. Porém, ele também pode se dar de maneira disfuncional, através da aversão ao Brasil, ou até mesmo, da agressão verbal e física direcionada a outros brasileiros. Sob esta ótica, os brasileiros que dedicam seu tempo a fazer comentários raivosos contra o Brasil e os brasileiros, estão apenas buscando deixar de lado a sua intensa identificação com o Brasil. Assim como adolescentes brigam com seus pais buscando a autoafirmação, o brasileiro que se engaja em discussões do tipo "volta para o Brasil" está apenas tentanto, ele mesmo, cortar os laços com a pátria mãe.


O brasileiro que vive no exterior e está verdadeiramente integrado à cultura do país em que escolheu viver, por sua vez, não necessita desse mecanismo de negação. Para os que estão nessa fase da vida no exterior, agregar aspectos do Brasil no contexto em que vivem é algo que acontece de maneira saudável e fluida. Por outro lado, a busca incessante e sem sucesso por pertencimento, pode contribuir para o adoecimento psicológico. Se você se vê nesse momento de vida, é importante que perceba esse texto como uma oportunidade de olhar para o que falta em você e identificar o o que te faz ter um sentimento tão forte contra seus compatriotas. Quais aspectos da sua história de vida ainda te martirizam e perseguem, mesmo vivendo tão distante do Brasil? Já para os brasileiros bem integrados no seu novo país, sugiro praticar a empatia... Colocar-se no lugar do outro e contribuir para que a transição do brasileiro recém chegado seja mais tranquila são missões muito nobres.


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Sobre:

Dra. Camila Couto e Cruz é psicóloga com formação em Gestalt-Terapia e PhD em Psicologia Social pela University of Queensland; uma das 50 melhores universidades do mundo, de acordo com o QS World University Ranking.

Dra. Camila trabalha com psicoterapia na modalidade online, atendendo brasileiros que vivem no exterior através de uma abordagem dinâmica, voltada para a autorregulação e ajustamento criativo do indivíduo.

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